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:: Friday, August 02, 2002 ::
Bagos.
Ontem, folheávamos uma revista de homens nus, e havia um baiano maravilhoso em algumas das páginas. Algo nos chamou a atenção: os bagos do moço.
Meu Deus, que saco enorme! Ele o acariciava na foto, o que gerou repúdio em todos.
Não sei dizer o que sinto em relação a essa parte. Não tenho fixação em bagos como muitos amigos revelam ter, mas também não os detesto. Eu os considero como um sinal de macheza e virilidade, mas não tenho necessidade de senti-los. Talvez os do rapaz da foto me apetecessem, se pudesse tocá-los.
Já coloquei as bolas de alguns homens na boca. Sugo as alheias, porque não gosto que toquem as minhas. São demasiadamente sensíveis. E peludas. As que já levei à boca eram todas lisas, grandes. Sim, eram apetitosas, pertenciam a homens imensos, e desprovidas de pelúcia. E o simples ato de abraçá-las com minha língua os levava às alturas. Para mim, não há tesão maior do que levar um macho às alturas. Então sugo bagos, mordisco-os cautelosamente se necessário, me dôo. Deixo que os esfreguem na minha cara. Sou seu brinquedo. E brinco com suas bolas.
:: Rizito 8/02/2002 06:15:00 PM [+] ::
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:: Thursday, August 01, 2002 ::
É incrível o que a abstinência sexual pode fazer. Vinha me masturbando num ritmo alucinante, quatro, cinco vezes por dia.
Qualquer passada no banheiro e parece que meu corpo pedia pelo toque, os quadris marcados pelo elástico da cueca, delimitando a área mais carente e flamejante. E lá estava ele. Meu pau, a saudade de uma língua ou de um cuzinho, a bundinha caída e esquecida de certos prazeres da vida.
Eu buscava a frequência, comecei a fuçar imagens na internet, queria ver muitos homens nus, caralhos fodendo cus, engolidores de paus, cacetes jorrando litros de porra, sexo a dois, a três, grupal, músculos, músculos, músculos. À proporção que eu buscava a freqüência, o prazer se dilatava, diminuia. Até que decidi parar. É como um vício: o efeito da droga primeiro te leva ao céu e depois te joga de cara na terra batida, estraçalha seu corpo. Só que é uma droga que tem, como único resultado negativo, a insatisfação constante, a falta de saciedade. Porque não somos uma metonímia, simples caralhos ou xoxotas que andam, pensam, falam. Cada célula que nos compõe precisa de atenção, de cuidado. Somos a extensão de nosso sexo.
Então segui o caminho inverso ao que estava percorrendo. Cessei com os exercícios manuais. E obtive uma ultra-sensibilidade em contrapartida. Meus sentidos aguçaram-se, como se uma carcaça impermeabilizante se desgrudasse dos meus olhos, das minhas mãos, do meu pau. E de repente minha velha retina desceu como água pelo ralo.
E me peguei observando minha vara com minúcia, durante o banho. Ela já estava crescida, rígida. Sua ponta vermelha, escorregadia com o sabão que por ela escorria. Parecia uma cereja. Eu a apertei, era como se apertasse uma pequena esponja, macia, uma vontade de colocar na boca. Era uma frutinha de cabo disforme, como os desenhos infantis cujas medidas não têm sentido, porque para as crianças as dimensões pouco importam. Minha cereja tinha um cabo grosso, roliço. Como adoraria poder levá-la à boca.
Já tentei fazê-lo na infância. O desespero de ver a figura masculina e não ter um protótipo real por perto para poder pegar, sentir, me tornou acrobata, as pernas apontadas para cima enquanto a boca tentava alcançar o tarolo, angustiada. Qual seria a sensação de passar um falo na língua, ainda que esse falo fosse meu? Será que seu gosto era tão sublime quanto sua aparência?
A descoberta da punheta, aliás, foi para mim como uma visita ao Grand Canyon. Um mundo novo se abrira, o prazer inundava a minha vida como o estouro de uma represa. Então o gozo era a etapa final daquela sensação esquisita que dava ao friccionar o caralho? Meu Deus, que loucura aquilo! Primeiro, era bom por demais ficar só brincando com o dito, cobrindo e descobrindo sua cabecinha rosada. Mas o que mais viria? Era tão delicioso, esquisito, curioso o vai e vem da mão no cacete, aonde aquilo iria dar? Os sentimentos se confundiam, primeiro era o êxtase, então um certo desconforto, mas ficava bom de novo, precisava chegar no fim, mas o que poderia ser o fim daquela coisa que me dava vergonha?
Até o dia em que, sentado no sofá da sala e completamente sozinho, abaixei as calças, e comecei a brincar. Massagem aqui e acolá, o sobe e desce da pele fina sobre a cereja, relaxamento, desconforto, vergonha, delírio, arrepio, desconforto, relaxamento, delírio, arrepio, vergonha, relaxamentodesconfortovergonhaarrepiodelíriomeuDeusondevaidarisso? Aaahhhh, que loucura! Que loucura, loucura, loucura, que delícia! Então aí estava o fim: um arrepio longo, longo, a sensação de voar por entre nuvens refrescantes de menta, o corpo estremecendo, relaxando... E lá estava eu, planando por sobre a sala, quase tocando o lustre, olhando as flores sobre a mesa, saindo janela afora.
Depois disso, repeti a sensação incontáveis vezes. E é sempre parecido, algumas vezes mais, outras menos. Quanto mais tento voar, mais baixo vôo, então às vezes dou espaços mais longos de tempo, para voltar a tocar minhas nuvens de menta como a criança que fora outrora.
:: Rizito 8/01/2002 12:42:00 PM [+] ::
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:: Wednesday, July 31, 2002 ::
(continuação - CARNE DE APOLO)
Sete e vinte. Os ponteiros do relógio não paravam. Sete e vinte e cinco. "Só mais cinco minutos de espera, e então desencano. Não, não desencano, vou até a academia e tento conseguir seu número de telefone". Sete e meia e o som ardido da campainha me trouxe de volta do meu sonho obsessivo.
Eu o recebi trajado de negro. Em algumas circunstâncias, a ausência total de cores pode ser tão perturbadora quando a junção de todas elas. Sem contar que meu apartamento estava todo colorido, então não ele não podia - nem deveria - me confundir com o cenário. Dei-lhe um abraço longo e apertado logo na porta. Olhei-o por inteiro: estava lindo, os pés calçados numa bota preta de couro, a calça jeans desfiada na barra (a mesma de ontem?), uma camisa de stretch que se moldava ao seu torso definido. Ele estava de encher os olhos. Ele era de encher os olhos!
Eu o levei para conhecer as dependências de meu apartamento. Apesar de não ser um espaço muito amplo, queria apresentar-lhe minhas pequenas conquistas. Comecei pelos quartos - fiz questão de levá-lo até minha confortável cama de casal, king size, e mostrar que havia apenas um travesseiro sobre a cama (eu tirara os demais intencionalmente). Fiz com que observasse meus CDs sobre a escrivaninha, para que conhecesse um pouco os meus gostos musicais, meu ecletismo. As luzes da cidade adentravam meu quarto, violentando a meia-luz romântica, os faróis dos carros percorriam as paredes enquanto estes desciam a rua em frente ao meu prédio. Apesar de incômodos, esses jatos de luz muitas vezes davam um ar aconchegante ao lugar, me faziam lembrar que a balbúrdia tinha ficado do lado de fora, só entrando abstratamente através de claridades disformes. Notei-o esmiuçar cada detalhe com sua perspicácia. E era isso que eu queria: que ele me percebesse.
Levei-o ao outro quarto. Menor, ele continha somente algumas tralhas, minha velha esteira de correr transformada em cabide pela escassez de tempo para os exercícios - e preguiça também, alguns enfeites de Natal empilhados que se empoeiravam, documentos antigos já sem valor. E um mar de revistas, infinitude de caras, bocas e tendências, palavras soltas em entrevistas, gente que já partira há tempos. Passamos rapidamente pelo banheiro, mostrei-lhe minha banheira que, apesar de humilde, já me rendera excelentes momentos de excitação e relaxamento. Ele me pediu para enchê-la, abriu o pote de sais de banho, jogou um punhado dos flocos na água, que começou a espumar de imediato. Fechamos as janelas para impedir que a brisa fria da noite que caía tomasse conta do ar quente e úmido que começava a se formar ao nosso redor. Ele então se sentou na borda da banheira, me obrigou a sentar-me em seu colo, acariciou meus cabelos, cheirou meu pescoço. Mordiscou meu queixo, suas mãos desceram pelo meu peito, juntaram-se em minha cintura. Vivíamos um momento de cumplicidade única, como se não existisse dinheiro em jogo entre nós, como se a podridão do mundo estivesse excluída de nossos vidas. Só havia nós dois, uma banheira, espuma. Nada mais.
Ele começou a me despir lentamente, a mão percorrendo os botões da camisa. Eu o interrompi: não seríamos uma sopa humana naquele momento, precisávamos jantar comida de verdade antes. Eu colocara a massa para cozer no fogão e o frango para assar no forno, eles queimariam se continuássemos o ritual.
Ainda que a contragosto, consegui levá-lo à sala de jantar, que era colada à sala de estar, uma e outra delimitadas por móveis e lâmpadas. Sentamo-nos, e comecei a servir a refeição.
Fiquei fascinado ao observá-lo, enquanto comia. Era um momento sagrado, de total desprendimento, no qual ele baixou sua guarda, tornou-se simplesmente um animal. É neste momento que percebemos quão frágeis somos, nossa vulnerabilidade materializada num frango ensopado que, sem ele, esvanecemos. Somos relegados à condição de seres dependentes.
Ele se tornara um infante. Ali, comendo, o garfo se enchendo do tecido branco fibroso que era levado à boca. O peito do frango me pareceu algo tão apetitoso quanto o peito daquele homem (infante?) que se colocava defronte, as saliências, a carne estufada do exercício diário. Não podia mais ficar longe dele. Levantei-me, passei pela lateral da mesa enquanto seus olhos acompanhavam meu caminho. Com a ponta dos dedos sob seu queixo, eu suspendi sua cabeça. Olhei-o profundamente, como se quisesse contar cada risco azulado que compunha sua íris. Ainda com sua boca cheia de frango triturado e salivado, tasquei-lhe um beijo ardoroso, a comida circulando entre nós, suas mãos soltas tombando sobre a mesa.
Comer é um ato absolutamente erótico. Talves dessa carga de erotismo provenha a associação entre comer e foder. Precisava fodê-lo naquela hora, de qualquer jeito.
- Preciso de você agora.
- Como assim? Não vamos terminar de comer?
- Não. Eu vou comer você.
Não lhe dei tempo para pensar. Andando em passos largos, fui até o quarto, peguei algumas camisinhas e o tubo de lubrificante ja no fim, e voltei para a mesa. Ordenei que ficasse de quatro, as calças arriadas até os joelhos, o látex do preservativo rangendo ao cobrir meu caralho duro, besuntei o gel e meti no seu cuzinho liso. A visão do frango meio comido e as lembranças de seu semblante animal me faziam fodê-lo com força, socava meu pau nele. Precisava tocar seu fundo, saber até onde chegaria, fazê-lo urrar de dor.
Tudo começou a girar na minha frente como um filme. O cacete entrando e saindo, o prato pela metade na mesa, vinho, velas queimando... Até que, como se quisesse voluntariamente se desprender do meu corpo, a porra jorrou forte, enchendo o preservativo. Tirei meu pau de dentro dele devagarinho, fazendo com que sentisse cada pedacinho meu que saía dele.
Camisinha já no lixo do banheiro, voltamos a comer. De novo sua feição pueril ao engolir a comida. Não agüentei e pedi que me comesse. Não poderia simplesmente observar de forma passiva aquele retorno à infância, a exaltação da não-preocupação. Ele não passaria por tal júbilo impunemente. Fui até ele uma vez mais, me sentei em seu colo, comecei a ritmar minha bunda como se ele a penetrasse, até que o senti rijo entre as calças. Mandei que as tirasse. Não poderia esperá-lo colocar o preservativo. Virei a lata de azeite sobre seu caralho duro, e de um só impulso o abriguei com força. Eu já cavalgava, enquanto pedaços da ave ensopada desciam goela abaixo. Eu comia e era comido. Dois animais explorados, invadidos em sua estrutura frágil e efêmera. Até que ele me recheou com sua calda pastosa, quase flamejante.
Para mim, não fora suficiente. Eu precisava internalizá-lo selvagemente. Então, o arrastei até a banheira já cheia d'água, tirei sua roupa com desespero, joguei-o por sobre a espuma que flutuava, nos beijamos freneticamente. Mais uma vez eu o queria roçando meus órgãos. Mais uma vez ele me penetrou, mas estranhamente aquilo não me saciava. Precisava internalizá-lo com urgência. Um pensamento fez-se luz em meu cérebro: me levantei da banheira, fui até o aparador da porta. Este era uma pedra grande e esmaltada que impedia a porta de bater com o vento. Segurei-o com força, corri para a banheira. Não entendo o que eu faria com aquilo em punho, ele me olhou assustado, segurou meu braço mas não houve tempo: a pedra pesada desprendeu-se de minha mão, e lhe acertou o crânio em cheio. Ele ainda estrebuchou por alguns segundos, o curto-circuito causado pelo cérebro em pane fazendo com que ele esperneasse contra a água. Fez-se silêncio. As ondas cessaram. Apolo jazia na minha banheira.
Ainda um pouco tonto, corri até a cozinha. Peguei a faca mais afiada que encontrei na gaveta. Voltei para o banheiro. Mirei cada pedaço de músculo daquela massa deliciosa que repousava na água. Comecei pelo peito. Lindo, bombado. Cortei primeiro o mamilo. O sangue começou a sair primeiro num fiozinho tímido, depois em rios que transformaram aquele recipiente numa imensa taça de vinho tinto. Desci até as coxas. Grossas, recém depiladas. Arranquei a parte interna delas, mal enxergando em meio ao caldo escarlate que as circundava. Depois foi a vez dos bíceps. Então, virei o meu prato de costas e fatiei-lhe a bunda. Rija e também musculosa.
Os rastro de água e sangue me seguiu até a cozinha. Mergulhei meu homem na panela até que a água estivesse fervente. Provei. Não estava cozido o suficiente, ainda. Dei mais dez, quinze minutos. Lá estava a carne que tanto almejara, pronta para degustação. Montei meu banquete. Tirei a toalha e os guardanapos de linho do armário, forrei a mesa. E comi. a luz das velas tremulando, fazendo sombras engraçadas na parede. Eu o comi, selecionei as melhores partes, joguei outras fora como se fossem a carcaça passada de um frango, e comi. Coisa que o velho jamais faria eu fiz. Eu o tive dentro de mim. Eu o comi.
:: Rizito 7/31/2002 03:30:00 PM [+] ::
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:: Tuesday, July 30, 2002 ::
CARNE DE APOLO
Ele era um cara taludo, de ossos largos, que lhe permitiram revestir de músculos o esqueleto forte. Seu rosto era absurdamente másculo, o queixo quadrado, uma mancha de nascença, rosácea, sobre o olho esquerdo.
Eu o via puxar ferro todas as noites naquela badalada academia dos Jardins. Ele era seu próprio criador, uma escultura que ganhou vida e passou a se aprimorar, a talhar suas formas por si só, sem a necessidade de qualquer ferramenta, a não ser o esforço repetitivo, banhado de suor e veias saltadas.
Desde o primeiro dia em que o vi, fiquei fascinado. Haviam outros na academia, mais belos e mais fortes até, mas ele me desconcertava; era como se a sua visão fosse um imenso aspirador de pó, meu olhos se viravam involuntariamente em sua direção, atraídos pelo imã da sua imagem. Ele percebeu o encanto que despertara, de tanto que eu me vidrava nele. E passou a fazer exercícios mais próximo à mim, eu abestalhado com o Apolo envolto na velha regata azul e a inseparável bermuda de malha cinza. Às vezes, no meio do exercício, eu o olhando pelo espelho lateral da academia, ele se voltava para mim, os músculos da coxa contraídos ao máximo, fazia uma cara de dor. Não sei dimensionar a urgência que sua necessidade causava no meu corpo, mas minha vontade era de me atirar em seu abismo, um kamikaze guiado pelo desejo.
Eu temia encará-lo por desconfiar de sua orientação sexual. Sabia que o local era povoado de gays e simpatizantes, mas o que um homem daquele tamanho pensaria dos olhares fortuitos daquele garoto franzino, frágil, quase feminino? Eu chegava a me morder de curiosidade, friccionava os dentes na tensão de querer descobrir se gostava de homens ou mulheres. Parei de freqüentar a academia sem elucidar o mistério em torno de sua figura.
Passaram-se meses até sábado. Fazia calor, todos com roupas leves, uma boate. Aniversário de um amigo querido, muita gente, som no máximo, tipos para todos os gostos: feios, bonitos, velhos, adolescentes, harmônicos e disformes. Ao menos a noite é democrática, há sempre um corpo no qual se encostar, apesar da efemeridade dos sentimentos.
E ele estava lá.
Ele.
O mais delicioso, o mais másculo, mais atraente homem que jamais vira.
Por alguns minutos, fiquei ali, paralisado, desacreditado na visão que banhava a minha retina. O calor se intensificando, as pernas fraquejavam, o som me aturdia. Mas ele estava ali, outra regata azul-marinho, jeans coladíssimo, as formas impecáveis de sempre. Mas havia um problema.
Ele estava acompanhado.
De um homem!
E não era um homem bonito. Era um velho, a cara manchada das espinhas mal-cuidadas da adolescência, transformadas em crateras lunares. A barriga se pronunciava por cima da calça, os trajes batidos, surrados, a camiseta mostarda já quase sem forma. Os cabelos, um tanto ralos, brigavam, separados em tufos que iam um para cada lado, tornando aparente seu desleixo. Mas ele estava com o meu sonho na sua cola! Como era capaz daquilo?
Foi aí que eu percebi a grande sacada: o velho era o dono da boate. Ele ficou a maior parte do tempo no balcão, observando o fluxo das pessoas na entrada, distribuindo beijos e abraços. Era personalidade conhecida no local, e provavelmente abastada. Por perceber que assim que a casa encheu ele não saiu mais de lá, armei meu grande plano. Eu teria seu companheiro naquela noite.
Subi até a pista de dança lotada, que ficava no segundo andar, e vi o musculoso dançando no camarote que ficava em frente à pista. Imaginei que o velho não subiria atrás dele: teoricamente sua noite já estava ganha.
Comprei uma cerveja, aguardei o momento em que ele olhasse para mim, e lhe ofereci um gole da minha bebida. De longe, mesmo, convidando-o a aproximar-se. E ele aceitou.
Eu estava bem vestido, a pele cuidada, cabelos bem penteados. Transpirava saúde, a roupa nova dava um status falso. Então, ele atravessou todo o camarote, passou pelos seguranças, pude vê-lo entre os que dançavam, tropeçando aqui e ali, quando chegou até mim.
- Oi!
- Oi! Eu te conheço de algum lugar... Você não é o cara da academia?
- Sim, sou eu mesmo... Quer uma breja?
- Valeu!
Ele virou minha cerveja num só gole, o líquido descendo gelado pela sua garganta, as veias do pescoço saltadas, suor brotando dos poros.
- Eu sempre te admirei na academia... Há quanto tempo você faz musculação?
- Há uns cinco anos, já. Mas você também pode ficar assim. Por que parou?
- Falta de tempo, grana, preguiça, disciplina zero. Pretendo voltar...
- É, você deve mesmo. É um cara bonito, só precisa trabalhar mais o físico.
- Obrigado! Quem sabe eu não volto e você me dá umas dicas?
- Com prazer!
Então ele me deu uma piscadela, justamente com o olho manchado. Soube, naquele momento, que ganhara sua confiança. Ele me dispensaria algum tempo para saber o que a noite lhe renderia.
Ficamos alguns momentos conversando, pude notar seus olhos vasculhando o espaço à nossa volta, provavelmente procurando o velho gordo de outrora. Nenhum sinal dele, disse que iria ao banheiro e pedi que me esperasse - era a minha deixa para que rolasse um beijo. O peixe fisgou a isca, fomos os dois para o banheiro.
O banheiro estava imundo, um casal se beijava num canto, numa penumbra uma menina se picava. Todos as cabinas estavam ocupadas, eu sabia que precisava adentrar alguma delas para que nos sentíssemos à vontade, para que ele me desse um beijo, ao menos. Até que dois caras esvaziaram uma delas. O chão estava nojento, todo molhado de uma pasta marrom, papéis higiênicos pisados e umedecidos de urina, o cheiro forte de amônia dominando aquele espaço pequeno. Nem isso foi incômodo para nós. Assim que entramos, trancamos a porta, e nos atracamos. Ficamos de lábios colados por minutos que para mim soaram como uma eternidade, nos agarramos com sofreguidão, como se aqueles fossem os últimos segundos de vida que nos restavam. Ficamos por algum tempo ali, brincando, nos lavando de saliva, boca, orelhas, pescoço, mamilos. Percebi seu cacete duro, desci até ele, o engoli. Era imenso, exatamente do tamanho que eu imaginara. E liso, a glande proeminente encharcada da minha baba quente. Ele fez o mesmo comigo, elogiou minhas dimensões, sugou afoito meu caralho. Então me propôs que chegássemos ao clímax, me deu uma camisinha, pediu que a colocasse e o comesse. Apesar de surpreso (como um homem daquele tamanho queria que EU o comesse?), disse-lhe que queria terminar aquilo em outro lugar, possivelmente em meu apartamento. Reticente, disse que não queria seguir até minha casa pois não desejava se envolver, tinha que acordar cedo na manhã seguinte e não dormiria comigo: se quisesse, era somente sexo por sexo, e em pé no cubículo, mesmo.
Senti que o problema estava na sua companhia, o velho que lhe pagava para obter prazer. Então contei-lhe que já havia observado que estava acompanhado, e que se quisesse poderíamos nos encontrar outro dia. E assim combinamos: ele iria na minha casa no domingo, final de tarde, para tomarmos um café.
Não sei como consegui dormir aquela madrugada. Ainda estava com seu gosto na boca, seu cheiro na roupa, as sombras que o abajur fazia no teto se transformavam nas suas formas viris. Não podia parar de pensar nele, armar estrategicamente o nosso encontro.
Dormi pesado. A sensação que tive é de que nem as múmias no Egito conseguiram descansar mais em séculos do que eu naquela horas ralas. Meu cérebro desligou por completo, cansado das fortes emoções da noite anterior.
Acordei num pulo. Nos milésimos de segundos da semi-consciênca do despertar minha massa cinzenta já trabalhava, estimulada pela iminência da visita que eu receberia. Não conseguia comer: estava alimentado de ansiedade, os batimentos cardíacos acelerados é que me levavam a fazer minhas coisas, tomar banho, ligar a TV, desligá-la (não queria ver televisão), ligar o som, mudar as estações do rádio freneticamente (nada me agradava), desligá-lo, voltar a ligar a TV, trocar os canais freneticamente. A adrenalina bombava cada partícula do meu corpo, num movimento incessante.
Passei o dia da esquerda para a direita, de cima para baixo, minhas pernas não mais me obedeciam.
Até que chegaram as seis horas. Combinamos de ele aparecer em casa por volta das seis e quinze. Espalhei velas coloridas pela casa, joguei uma toalha nova sobre a mesa, peguei os pratos novos ganhados na ocasião da mudança e nunca antes usados, reguei as flores. Tudo precisava parecer impecável, reluzente, ao mesmo tempo que descolado e simples. Queria passar uma imagem de garoto moderno, que lida com artes todos os dias, acostumado à badalação, mas sem exageros.
Fiquei envolto nos preparativos durante os minutos que se seguiram. Quando bati os olhos no relógio, já eram seis e quinze. Nada da campainha tocar. Acendi um incenso, a mirra tomou conta do ambiente. Não podia deixar o ar carregado, então aproximei o palito incandescente e perfumado da janela, deixando-a entreaberta. A volatibilidade do aroma assemelhava-se aos meus pensamentos, que se debatiam em nuvens e esvaneciam na briga com minha ansiedade. (continua...)
:: Rizito 7/30/2002 03:28:00 PM [+] ::
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:: Monday, July 29, 2002 ::
Aguns me julgam um cara fácil porque passo os dias observando os homens nas ruas, conferindo o tamanho de suas "malas", não me atendo aos seus defeitos. Para eles, basta ter um caralho entre as pernas, que já vou correndo.
É verdade que esse pré-requisito já faz com que o cara tenha grandes chances comigo. Sou tarado por homens, adoro sentir seus cacetes bagunçando meus órgãos, a textura lisa e arredondada de ovo cozido de suas glandes na minha boca, seus pêlos deslizando sobre a minha pele... Mas a verdade é que não tenho pré-conceitos porque parto do pressuposto que todos têm qualidades, e eu me atenho a elas, principalmente no que tange ao sexo.
Na semana passada um funcionário novo do departamento de informática veio me falar sobre um recurso novo que disponibilizaríamos na internet. Jamais tivera qualquer contato com ele, só me foi possível notar que é um homem grande, pele morena - quase mulata, lábios grossos, mãos pesadas e peludas. Ele é bem alto, costas largas. Já me perguntei sobre o tamanho e espessura de sua vara por diversas vezes. Ele não é um macho que me atrai, mas essas duas virtudes - o tamanho do cacete e os lábios grossos - me fazem ter delírios a seu respeito.
Primeiro, eu o vi me chupando no banheiro masculino. Os lábios carnudos percorrendo meu corpo, meu pau, meus mamilos, sua cara grande e troglodita entre as minhas nádegas, escarafunchando. Mas, quando já em sua mesa ele me explicou sobre uma seção nova na nossa homepage, sentei ao seu lado, pude admirar seu pescoço largo, sua braguilha arrebentando de tanto segurar aquela carne negra, transformada num monstro por jatos de sangue involuntários. Neste momento, eliminei todo seu conjunto e meus olhos colaram em sua calça. Comecei a apalpá-lo embaixo da mesa, pude sentir sua cueca se encher, estufar, o tecido cedendo. Ele não se conteve, baixou o zíper, e vi aquele monumento negro, roliço, grosso, pular da cadeira, minha cabeça sendo empurrada para baixo da mesa, fui obrigado a engolí-lo, o estupro inevitável da minha garganta. Ficamos assim por alguns minutos, nossos colegas de trabalho sem entender o que eu tanto procurava no chão... Até que ele explodiu, quente, o recheio do chocolate voando em minha direção, tocando o céu da minha boca, espalhando entre os dentes. Levantei, meu rosto vermelho da cabeça ter ficado baixa por tanto tempo, os lábios em brasa do movimento contínuo. Olhei para sua cara, seu olhar safado. Fui até o banheiro, e antes que pudesse me lavar, ele invadiu a cabina comigo, me lascou um beijo longo, sua porra sendo dividida entre nós, seres unidos pelo líquido grudento.
É por isso que não faço distinção entre meus parceiros. Por isso procuro seu lado bonito, excitante, exótico. Sou Jack, o estripador do século XXI. Eu corto minhas vítimas abstratamente, parto-as em meu cérebro, caralhos, coxas, bundinhas apertadas, línguas, braços fortes, mãos peludas. E devoro somente os pedaços que me interessam. E todos têm pedaços que me interessam, sempre.
:: Rizito 7/29/2002 12:07:00 PM [+] ::
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